Antes da introdução dos selos adesivos, o custo do transporte da correspondência era normalmente indicado por anotações manuscritas, números de porte ou marcas postais específicas. O estudo dos portes e das taxas constitui uma das áreas mais importantes da Pré-Filatelia, permitindo compreender a forma como os serviços postais calculavam e cobravam o envio das cartas.
Os valores inscritos nas cartas refletem frequentemente a distância percorrida, o peso da correspondência, o percurso utilizado e os regulamentos postais em vigor no momento da expedição.
O que é o porte?
O porte corresponde ao valor devido pelo transporte de uma carta.
Durante o período pré-filatélico, o pagamento podia ser efetuado pelo remetente, pelo destinatário ou repartido entre ambos, consoante as normas aplicáveis e os acordos existentes entre as administrações postais envolvidas.
Os portes surgem frequentemente indicados através de números manuscritos ou de marcas aplicadas pelos correios.
Como eram calculados?
O cálculo dos portes variou ao longo do tempo, mas baseava-se geralmente em fatores como:
- a distância percorrida;
- o peso da correspondência;
- o número de folhas da carta;
- o percurso utilizado;
- o transporte terrestre ou marítimo;
- a natureza nacional ou internacional do envio.
Nas cartas internacionais podiam coexistir diferentes parcelas tarifárias, correspondentes às várias administrações postais ou meios de transporte envolvidos.
Taxas e encargos complementares
Além do porte propriamente dito, algumas cartas podiam estar sujeitas a outros encargos, entre os quais:
- impostos postais;
- taxas de trânsito;
- sobretaxas marítimas;
- taxas administrativas;
- encargos fiscais previstos na legislação em vigor.
Estes valores eram frequentemente assinalados por marcas específicas ou por anotações manuscritas.
Portes manuscritos
Uma das características mais distintivas da correspondência pré-filatélica é a presença de portes manuscritos.
Escritos geralmente a tinta, estes números indicavam os valores a cobrar ou já pagos e podem surgir em diferentes moedas e sistemas contabilísticos, de acordo com o país e o período histórico.
A interpretação correta destes portes exige frequentemente o conhecimento das tarifas postais em vigor à data da expedição.
O que nos revelam os portes?
A análise dos portes e das taxas permite:
- determinar o custo da correspondência;
- compreender o regime de pagamento aplicado;
- identificar percursos nacionais e internacionais;
- estudar a evolução das tarifas postais;
- interpretar marcas e anotações administrativas presentes na peça.
Em muitos casos, os valores inscritos numa carta constituem uma importante fonte de informação para a reconstituição do seu percurso postal.
A importância para a Pré-Filatelia
Os portes e as taxas são muito mais do que simples valores monetários. Representam o reflexo das regras administrativas, das redes de transporte e das relações postais de uma determinada época.
O seu estudo, associado à análise das marcas postais e dos restantes elementos da correspondência, permite compreender de forma mais completa a circulação das cartas e o funcionamento dos serviços de correio antes da introdução dos selos adesivos.

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