sábado, 1 de agosto de 2026

Museu de Filatelia Sérgio Pedro - Newsletter de julho de 2026

O mês de julho de 2026 constituiu um dos períodos mais dinâmicos da atividade científica desenvolvida pelo Museu de Filatelia Sérgio Pedro e pelo seu ecossistema digital. Através das plataformas Acervo e Ensaio, do Núcleo de Filatelia Sérgio Pedro e dos restantes espaços de divulgação e investigação, foram publicados numerosos estudos dedicados à História Postal, à pré-filatelia, à filatelia social e ao património documental

Mais do que apresentar peças isoladas, o trabalho realizado procurou contextualizar cada documento no seu enquadramento histórico, económico, institucional e social, reforçando a missão do Museu enquanto centro de investigação, preservação e difusão do património postal.

O Atlântico, a Madeira e as redes mercantis do século XVIII

Uma das linhas de investigação mais relevantes do mês centrou-se na documentação comercial relacionada com a Madeira e com o comércio atlântico britânico dos séculos XVIII e XIX. Diversas cartas pré-filatélicas permitiram reconstruir percursos marítimos, relações de confiança entre negociantes, sistemas de crédito comercial e circuitos de exportação do Vinho da Madeira.

Entre os estudos mais significativos destacam-se:

  • A carta comercial marítima de 1766, transportada pelo Capitão Laird a bordo do navio Thames, testemunhando ligações entre Londres, Madeira e Jamaica.
  • A carta de Robert Jackson para Newton & Gordon, datada de 1774, contendo referências à encomenda de vinho da Madeira e à circulação de espécies vegetais entre continentes
  • A correspondência comercial de 1785 e 1790 dirigida à firma Newton, Gordon & Johnson, revelando mecanismos de crédito mercantil, abastecimento marítimo e relações económicas transatlânticas.

A correspondência comercial dirigida a Newton & Gordon entre 1766 e 1790 permite identificar os navios Thames, Countess of Galloway, Mary Ann e Alexander, bem como os capitães Laird, Alexander Simson, Seton, Shaw e Cleaveland. Em conjunto, estes documentos revelam redes marítimas e mercantis que ligavam Londres, Madeira e o espaço económico jamaicano no comércio atlântico britânico do século XVIII.

Estas investigações reforçam a importância da Madeira enquanto plataforma comercial fundamental das rotas atlânticas e demonstram o potencial da História Postal como fonte para a compreensão dos movimentos económicos globais

Contributos para a marcofilia portuguesa

Julho ficou igualmente marcado por um estudo de elevado interesse para a história das marcas postais portuguesas: a análise da marca pré-filatélica LEIRIA (LRA 5 Azul) aplicada numa carta de 1837 expedida da Marinha Grande para Lisboa.

A investigação sugere a possibilidade de esta utilização anteceder as datas atualmente publicadas na literatura especializada, constituindo um potencial contributo para o aperfeiçoamento da cronologia conhecida desta marca postal. O estudo foi apresentado com o necessário rigor metodológico, distinguindo claramente entre evidência documental e interpretação histórica

A peça apresenta ainda interesse acrescido por envolver duas figuras de relevo da administração portuguesa oitocentista: Frederico Guilherme de Varnhagen e Marino Miguel Franzini.

Filatelia Social e património institucional

O Museu continuou também a aprofundar a vertente da Filatelia Social, valorizando documentos que permitem compreender instituições, práticas administrativas e mecanismos de organização da sociedade portuguesa.

Neste contexto destacou-se o estudo do ofício da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz, datado de 1871, relativo a um donativo de João Henrique Ulrich. O documento conserva selo branco institucional, chancela de autenticação e referências diretas ao financiamento das atividades assistenciais da instituição

Este trabalho ilustra a forma como o património postal e documental pode contribuir para o conhecimento da história da assistência social, da beneficência privada e das instituições portuguesas do século XIX.

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